Uni duni Ler Todas as Letras é um projeto de incentivo à leitura voltado, principalmente, para bebês, idosos, pessoas com necessidades especiais, hospitalizadas ou em situação de vulnerabilidade social. Realiza, desde 2013, leituras públicas, rodas de histórias e cantigas, leituras sensoriais, formação de mediadores de leitura sempre com a participação de escritores, ilustradores, mediadores de leitura, contadores de história. e músicos, que numa caravana poética, itineram por creches, asilos, hospitais e abrigos, livros, afetos, muitos versos e muita prosa!

“Todos somos brilhantes em algo”, diz a ilustradora Anabella Lopez

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Foto: PH Fernando Drusini

Anabella Lopez é formada em design gráfico pela Universidade de Buenos Aires, onde também lecionou. Foi professora da primeira escola de ilustração na Argentina, a Sótano Bianco. Atualmente, é professora fundadora da Escola de Ilustração Usina de Imagens, em Recife. Tem vários livros publicados em países como Argentina, Brasil, México, Estados Unidos, Canadá, França e nos Emirados Árabes. Alguns de seus trabalhos foram adaptados para a TV argentina. Em 2015, com o livro A força da Palmeira, ficou em primeiro lugar no Prêmio Jabuti, categoria ilustração de Livro Infantil e Juvenil. Conheça um pouco mais essa artista brilhante nessa entrevista exclusiva ao blog Uniduniler:

Uniduniler: Quando você percebeu que desenhar era mais que um hobby?

Anabella: Desenhar sempre foi uma parte importante de mim. Assim como também ler, escrever, escutar música e dançar. Não consigo saber quando comecei pois sempre foram atividades presentes no meu dia a dia. Tanto quando criança mas também na minha adolescência. Esses eram espaços onde me sentia completamente livre e em paz. Espaços de expressão que eram só meus. Quando acabei o colegial pensei muito no que gostaria de estudar, o que queria ser. E essa resposta não chegava, pois na verdade era muito difícil me fechar só para uma área. Na verdade, gostava de artes, mas também de ciências sociais e também de letras…Enfim, foi bem difícil essa etapa onde parece que a gente tem que definir o que será para o resto da vida em alguns meses…Finalmente entrei na carreira de Design Gráfico na Universidade de Buenos Aires e quando comecei a conhecer mais sobre o mundo da imagem e a comunicação me acabei interessando ainda mais. Hoje em dia não me considero só ilustradora. De fato sou também professora, escritora, dançarina, comunicadora, entre tantas outras coisas mais.

Uniduniler: O apoio da sua família foi importante? Como os pais/mães podem ajudar ou incentivar os filhos nesse caminho?
Anabella: No meu caso não recebi muito apoio não. Na época, dizer que você queria ser artista era considerado rebeldia ou uma decisão sem muito futuro. Como sempre fui muito boa na escola, meus pais esperavam uma médica ou uma advogada. Foi bem difícil para eles aceitar minha decisão e também para mim, para conseguir me manter firme. Nessa hora, o fato de não ter nenhum apoio fez com que eu ficasse ainda mais segura e firme na minha escolha. Teve que trabalhar para conseguir estudar e completei os 6 anos de carreira fazendo as duas coisas. Foi muito duro e cansativo, mas ao mesmo tempo isso fez com que já sendo muito nova trabalhasse na minha área e me destacasse pelo meu trabalho. Comecei na área de comunicação e design, para depois finalmente me dedicar exclusivamente a autoria de livros.
Em relação aos pais e mães, acho que é muito complexo. Ás vezes a gente acaba projetando sem querer nossos sonhos e expectativas da vida para as crianças. Querendo ou não a gente também é presa da nossa criação e esquema de valores e transmitimos para eles exatamente aquilo no que acreditamos, o que achamos o melhor. No caso dos meus pais, não foi ausência de apoio por falta de carinho ou respeito. Mas, realmente, naquela hora, para uma família num contexto humilde como a nossa, o melhor e mais seguro era ter uma carreira mais tradicional. Como ainda não sou mãe, não tenho a experiência suficiente para saber como incentivar os filhos. Mas uma coisa que considero importante, e digo isto pela minha experiência como professora de crianças, é o fato de compartilhar tempo e brincar. Nos momentos lúdicos e livres é onde a gente vai se reconhecendo e percebendo o que mais ama fazer, a nossa missão no mundo. Todos somos brilhantes em algo e nas crianças isso é muito mais fácil de enxergar.
Uniduniler: O que uma criança que gosta muito de desenhar precisa fazer para se tornar uma ilustradora?
Anabella: Estudar muito e ter muita disciplina. É uma profissão lindíssima que requer muito conhecimento em diversas áreas. Pelo fato de ser um trabalho independente, você precisa ter muita disciplina e organização para que tudo dê certo: cumprir prazos, montar projetos, pensar novas ideais etc.
A carreira de ilustração é muito recente e ainda não existe uma formação nas universidades. Dentro do Brasil tem pouquíssimas escolas de ilustração profissionais direcionadas ao livro. A “Usina de Imagens”, por exemplo, que é a Escola de Ilustração onde dou aulas atualmente, começou a funcionar no ano passado. E é a única escola de todo o Nordeste. Por esse motivo, acho importante na hora de escolher o caminho da ilustração, os pais ajudarem na pesquisa de instituições de ensino que ajudem no processo de aprendizado.
Uniduniler: Seus traços são bem marcados e bem peculiares. De onde veio a inspiração?
Anabella: Ao longo da minha formação teve grandes mestres que me guiaram e me serviram de referência. Tenho um modo muito pessoal de ver a noção de estilo. Acredito que ela está mais ligada ao discurso total do artista, do que só ao meramente formal. Isto é, a gente reconhece o ilustrador pelo livro todo e não só pelo traço ou pelas cores. Por esse motivo é que meu trabalho se encontra sempre em constante mudança. Experimento em cada livro possibilidades novas. Me deixo levar pelas diferentes técnicas, combinando todas, misturando, cortando, juntando, separando… Cada livro é feito por uma Anabella diferente e trabalho muito para transmitir e deixar isso ser visto pelos leitores. Claro que tem características que se repetem, produto da minha pesquisa na área visual. A noção de contraste acho que é a mais marcante. Cor preto em oposição a cores muito saturadas. Curvas em oposição a figuras geométricas. A composição bem gráfica do espaço que vem da minha experiência como designer e cartazista. Mas também tem características que vão se transformando e mudando. O livro é um espelho do autor que não permite ver uma parte dele. O reflexo não é idêntico, mas ressignificado. Mas o autor sempre está ali. É só parar para prestar atenção que a gente acha.
Uniduniler:  Qual é o material de trabalho e a técnica que você mais gosta de usar?
Anabella: Técnicas mistas. Colagem, tintas acrílicas, digital, lápis de cores, caneta. Tudo junto!
Uniduniler:  Qual é a sua obra favorita?
Anabella: Não tenho só uma. Mas posso escolher 3 livros que melhor me presentam como autora. Barbazul, A força da palmeira e Outros mundos (ainda em processo).
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Uniduniler: Quem são os seus ilustradores/pintores/artistas favoritos?
Anabella: Matisse, Picasso, Kandinsky, Basquiat, Kveta Pacovska, Beatrice Alemagna, Andres Sandoval, Laura Teixeira, Diego Perrota, Claudia Legnazzi, Ajar Salimi, Sara Fanelli, entre outros muitos mais.
Uniduniler: Você vai dar algumas dicas para as crianças que vão participar do Festival de Leitura?
Anabella: Sim! Aproveitem muito, se divirtam e sejam simplesmente o que já são. 🙂
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