Uni duni Ler Todas as Letras é um projeto de incentivo à leitura voltado, principalmente, para bebês, idosos, pessoas com necessidades especiais, hospitalizadas ou em situação de vulnerabilidade social. Realiza, desde 2013, leituras públicas, rodas de histórias e cantigas, leituras sensoriais, formação de mediadores de leitura sempre com a participação de escritores, ilustradores, mediadores de leitura, contadores de história. e músicos, que numa caravana poética, itineram por creches, asilos, hospitais e abrigos, livros, afetos, muitos versos e muita prosa!


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Crianças fazem a gente ter certeza de que a literatura humaniza, diz Stella Maris Rezende

Stella Maris Rezende tem o dom de surpreender a todos com suas histórias. Desde pequena gostava de inventar e contar suas narrativas para amiguinhos e irmãos que não arredavam o pé dali encantados com a criatividade de suas aventuras. Quatro vezes agraciada com o mais importante prêmio da literatura brasileira, o Jabuti, a escritora é uma das convidadas de honra do III Festival Itinerante de Leitura do Distrito Federal. Conheça um pouco mais sobre essa brilhante autora, nessa entrevista exclusiva ao blog Uniduniler:

Stella Maris Rezende Foto de Renato de Rezende 2

Uniduniler: Como começou o seu envolvimento com a literatura e quando se descobriu escritora?
Stella Maris Rezende: Desde menina sempre tive paixão pelas palavras e pelos silêncios, entrelinhas, coisas não ditas, mistérios, segredos, surpreendentes revelações. Gostava do som das palavras, inventava significados. Reunia meus irmãos e vizinhos e desembestava a contar histórias que eu inventava na hora! Todos ficavam atentos, presos às narrativas. Adorava me sentir uma fada que encantava com as palavras, o ritmo, a entonação. Aos oito anos, minha professora pediu que a turma fizesse uma composição, que hoje se diz redação. Escrevi quase vinte páginas! Dias depois, ao devolver os textos, a professora me disse: Stellinha, você vai ser escritora. A partir daí passei a frequentar o lugar mais importante da escola, a biblioteca. Ora, se eu ia ser escritora, precisava conversar com mais assiduidade com os meus colegas. Escrever é conversar com tudo aquilo que já foi escrito.

Uniduniler: Por que escrever para crianças?

Stella Maris Rezende: Amo escrever, independentemente do público-alvo, mas de repente eu sinto que um determinado texto se parece mais com o universo infantil. Isso é difícil de explicar, porque há livros para crianças que encantam os adultos e vice-versa. O público infantil é mais lúdico e sincero, mais imaginativo, mais desarmado e sonhador e tudo isso atiça a minha vontade cada vez maior de estimular o sonho, o pensamento crítico, a imaginação, o questionamento, a reinvenção do mundo.

Uniduniler: De onde surgem as suas histórias?
Stella Maris Rezende: Tudo pode virar uma história. Qualquer detalhe, qualquer palavra, qualquer silêncio estranho ou engraçado. O escritor é aquela pessoa que nunca para de trabalhar, observa tudo, anota frases em caderninhos.

Uniduniler: Qual é o seu livro e/ou personagem favorito?
Stella Maris Rezende: A Maria de A mocinha do Mercado Central, a Pequenininha de A poesia da primeira vez, a Luzia de A menina Luzia, o Queridinho de A coragem das coisas simples e o cão Joaquim de A fantasia da família distante são os meus favoritos, porque de certo modo me vejo neles. São personagens apaixonados pelas palavras.

Uniduniler: Qual é a sensação de estar frente a frente com o púbico infantil?
Stella Maris Rezende: Adoro estar junto às crianças! É uma grande alegria, uma louçã e arrepiante mágica! Elas embarcam na fantasia, no sonho, nas perguntas, na sonoridade das palavras, nas pausas, nos mistérios, na magia delirante da linguagem. Inteligentes e críticas, afetuosas e sinceras, fazem a gente ter certeza de que a literatura humaniza e transforma, desorganiza para reorganizar, varre tapetes, sacode cortinas, lava a alma e agasalha o coração.

Uniduniler: O que espera desse encontro mediado pelo Festival Itinerante de Leitura?Stella Maris Rezende: O Festival Itinerante de Leitura, o apaixonante Uniduniler, com toda a certeza vai ficar marcado para sempre na minha memória. Vários amigos já participaram e só têm elogios ao projeto, que é rico em momentos marcantes, felizes, instigantes, cheios de encantamento e esperança.

Stella Maris Rezende, é mineira, vive no Rio de Janeiro, mas tem uma forte ligação com Brasília, onde morou, estudou e trabalhou nos anos 80. É escritora super premiada: 4 Jabutis, 3 prêmios João-de-Barro e ainda prêmios APCA, Barco a Vapor, Bienal Nestlé e dezenas de Altamente Recomendáveis pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil FNLIJ. Em 2012 o romance “A mocinha do Mercado Central” recebeu o Jabuti de Melhor Livro Juvenil e o Jabuti de O Livro de Ficção do Ano. A autora ainda ganhou o Jabuti de segundo lugar com “A guardiã dos segredos de família”: 3 Jabutis de uma só vez!

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Um bom livro precisa ter respeito pelo público infantil, diz Dilan Camargo, em entrevista

Dilan Camargo é um premiadíssimo escritor de livros infantis, entre eles Açorianos de Literatura Infantil, da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, Livro do Ano da Associação Gaúcha de Escritores, Troféu Palavra Viva. Dois de seus livros infantis foram selecionados para o Catálogo da Feira do Livro de Bolonha, na Itália e dois deles indicado para o Prêmio Jabuti  em 2013 e 2014.
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Dilan e o vampiro Argemiro (seu personagem), na EMEF Moradas da Hípica – Porto Alegre.
O escritor é convidado de honra do III Festival Itinerante de Leitura. Saiba um pouco mais  sobre ele nessa entrevista exclusiva ao blog Uniduniler.
Uniduniler: Como começou o seu envolvimento com a literatura e quando se descobriu escritor?
Dilan: Quando ainda era estudante de Direito na UFSM, em Santa Maria. Mostrei alguns poemas para um colega que era um ávido e qualificado leitor, principalmente de Cecília Meireles. Ele me falou: “Há dois tipos de poetas: um que gosta de ler poesia, como eu. E outro, o que pode escrever poesia. Tu pode ser um deles”. Fui para a biblioteca pública e li a poesia de Cecilia. Decidi me tornar um escritor, um poeta. Que pretensão! Até hoje leio, releio, e reaprendo a arte de escrever.
Uniduniler: De onde surgiu o interesse em escrever para crianças?
Dilan: Quando nasceu a minha primeira filha, Graziela, que hoje é mãe da Anabel e da Laura. À noite, quando não lecionava, lia para ela, antes dela dormir. Diante do “Isto ou aquilo” da Cecília e do livro “Samba da Girafa” de Eduardo Degrazia, comecei a escrever poemas para crianças. Publiquei então, “O embrulho do Getúlio”, pela Mercado Aberto, que foi muito bem recebido pelas crianças, pais e professoras. De lá para cá, já publiquei cerca de uma dúzia de livros de poesia, somente para o público infantil.
Uniduniler:  O que um bom livro infantil deve ter?
Dilan: Honestidade estética, respeito pelo público infantil. Na poesia, principalmente, procuro a ludicidade das palavras, as sonoridades, as rimas, as supresas e o encantamento da linguagem, o jogo das palavras criativo, sensível e inteligente. Busco a expressão inocente da literatura, que não pretende normatizar, ensinar, treinar mentes e espíritos. Cada verso de um poema precisa ser uma corda de violão com a qual a criança cante e toque com a sua imaginação.
Uniduniler: Qual é a sensação de estar frente a frente com o púbico infantil?
Dilan: Alegria! Liberdade! Confiança na vida. Já participei de vários e vários encontros, desde com públicos pequenos até com multidões mesmo, e é sempre uma primeira vez, um desafio de entrega às crianças, quando esqueço a minha idade e puxo a fila de um grande recreio de palavras, de rimas, de leitura em voz alta, numa busca de interação completa com a alma infantil. Readquiro nova alma.
Uniduniler: Há alguma surpresa reservada para o encontro do Festival Itinerante de Leitura?
Dilan: Surpresa é surpresa, não é? Ela fica presa na ponta da língua, louca para sair, mas eu não deixo. Eu já sei que vou me surpreender, em algum momento, porque isso sempre acontece quando as crianças se soltam na poesia.
DILAN CAMARGO é escritor com vários livros publicados para o público infantil, juvenil e adulto. Recebeu o Prêmio Açorianos de Literatura Infantil, da Prefeitura Municipal de Porto Alegre. Recebeu por três vezes o Prêmio Livro do Ano, Melhor livro infantil, Melhor Livro Narrativa Curta e Melhor Livro de Poesia da Associação Gaúcha de Escritores. Dois de seus livros foram selecionados para o Catálogo de Bolonha, e outros dois foram indicados para o Prêmio Jabuti em 2013 e 2014. Patrono da Feira do Livro de Porto Alegre em 2015 e de várias cidades do interior do Rio Grande do Sul.